domingo, 6 de março de 2011

Laila

Olhava, mas só olhar não bastava.

Ela tinha sede dos olhos que um dia amava.

E as árvores que de verdes não tinham nada

“Oh amor” suspirou ela de baixo daquela árvore amarela de um outono triste.

Não disse mais nada alem daquelas palavras amargas, da sua boca doce que mastigava o amor.

Porque já não sabia, e não queria saber o que era o amor.

Mas ali sozinha, pensava.

‘Em alguma parte do mundo sempre existe alguém, que nos faça acreditar mesmo que sem esperança, ali morra sozinho.

Sempre existe alguém, para nos pegar as mãos, para nos tirar do frio que congela nosso coração.

Existe alguém que procure por mim mesmo que não me conheça.

E eu aqui sozinha, procuro esquecer alguém que já não vive mais em mim.

Eu gosto quando as folhas caem assim, de pisar nelas secas, é como se fosse eu pisando no meu passado e quebrando-lhe em pedacinhos bem pequenos, que alguns o vento leva, outros ficam em mim, como algo bonito, mas que minhas lágrimas não tem vontade de lembrar.

Eu; de baixo dessa árvore grande que mais gosto de chamar de vida, procuro alguém que não seja nem certo, e nem errado.

Mas procuro alguém que procure por mim.’

Depois de seus pensamentos sobrevoando, Laila deitou-se sobre a grama e suspirou mais uma vez “Oh amor”.

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