quinta-feira, 3 de setembro de 2009

A Casa de Cinco Portas

Era calor, frio, e calor, e ao mesmo tempo os dois. Era uma tarde feliz, triste, feliz e ao mesmo tempo os dois... O céu enfeitado com diferentes tipos de cores, laranja, amarelo, vermelho, e ao mesmo tempo as três... O relógio correndo, estampado na parede da cozinha Eu, impulsiva, impaciente, remendada, atenta, e ao mesmo tempo longe, longe. Permanente. Avistava o velho do lado de seu único cômodo, cinco portas, e um sorriso, sem janelas! Conversava com a solidão naquele fim de tarde. A cada passo que eu dava refletia, a solidão é amiga de quem tem cinco portas em um só cômodo, e é amiga também de quem tem uma só porta para um palácio. O vento quente, frio na espinha, as arvore se mexiam. Havia tantas coisas ao redor, e eu me remoendo por dentro, com medo... Medo de a solidão conversar comigo, de ela parar na minha frente e dizer “Eis pequena diante de mim, e do mundo, das pessoas, e do céu”. Estranho é se sentir sozinha onde há pessoas, legais, chatas, e ao mesmo tempo os dois... É estranho esse aperto no meu coração, que já nem sinto mais A rua que eu descia, via o velho, parava um metro e cinqüenta. O muro escrito. As arvores balançavam em sintonia. E em um fim de tarde, com o céu enfeitado de cores quente, e meu coração frio, eu me sentarei em qualquer calçada, olharei o céu, o sol vai estar se pondo, do meu lado, não o verei mais, pois estarei eu e a solidão vendo a noite chegar.